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11/03/2004 18:25
GLSPLANET.COM - 09/03/04
Deparo-me com uma matéria "Meninas que beijam meninas na revista Veja On-Line desta semana, intitulada Fiquei bem animada e pensei cá comigo: enfim, a grande mídia decidiu abordar a questão da homossexualidade entre garotas.
Era bom demais pra ser verdade. A matéria aborda as cenas comuns nas saídas de escola, na praia e nas portas das discotecas entre meninas de 13 a 17 anos que estão andando de mãos dadas, dando um colinho para lá de carinhoso à amiga e trocam selinhos (tradução: bitocas). E quase como um susurro, a matéria avisa: em ambientes menos públicos, algumas delas podem ir mais além e se beijar na boca beijo de verdade UAU!!!!!!!
Como não poderia deixar de ser, a matéria ouve os pais que, aflitos, temem que suas filhas sejam... Meu Deus! LÉSBICAS!!!!!!!!
Já no primeiro parágrafo, para acalmar os pais, é dito com todas as letras que essa de beijar outra garota não significa absolutamente nada portanto, menina, se você sente atração por sua amiga e aquele beijo significou alguma coisa pra você, esqueça! O que está acontecendo é nada. Seus pais podem dormir em paz e você que se rasgue! Seus sentimentos valem exatamente isso: nada.
Continuando a matéria, a revista saca de uma entrevista feita com 2.800 pais de adolescentes na qual quase 60% deles declararam que ficariam bastante preocupados se soubessem que suas princesinhas andam beijando outras na boca. O grande receio é de que esse tipo de conduta indique uma tendência homossexual.
Traduzindo: ao invés de se preocuparem se suas princesinhas estão felizes, eles preocupam-se de que suas filhas não sejam homossexuais. Faz sentido, faz muito sentido.
Lá, também está que a garotada é curiosa (56%) digamos que uma curiosidade bastante curiosa... mas, há 17% que beijam por sentirem atração física Ah! Pecadoras! E outras 3% que beijam por amor essas merecem a fogueira! Não são fashion.
Números que foram desprezados, mas que mostram que tem gente sim que sente atração pelo mesmo sexo e que ama, independente da aflição dos pais e da banalização desses sentimentos que esse beija-beija provoca.
A matéria ainda ressalta que preconceito vem perdendo fôlego. Também acho, mas há controvérsias. Que o digam as meninas que dentro de casa apanham na cara de seus pais, que são humilhadas por seus irmãos, que são abusadas sexualmente por aqueles que não aceitam a sua homossexualidade, só para citar alguns casos. Sem falar, naquelas que estão reprimidas, chorando pelos cantos, revoltadas. Mas, isso tudo fica por conta do meu radicalismo (são os 44...rs) e da minha imaginação fértil é que cria situações como assassinatos e espancamentos de homossexuais, gente querendo curar a homossexualidade e por aí vai...
Não sou radical a ponto de dizer que não há avanços, mas daí a dizer que o preconceito vem perdendo fôlego, ou é ingenuidade ou preconceito travestido de modernidade.
E para fundamentar essa perda de fôlego do preconceito, eis que na matéria são citadas as meninas da T.A.t.u, Madonna, Britney Spears (e poderiam até citar muitas outras...) como sendo exemplos dessa onda de meninas que beijam meninas: Lena e Yulia têm um caso? Madonna e Britney são lésbicas? É claro que não. Elas reafirmam a todo momento que são apenas muito, muito amigas. Sem crise.
É, não dá pra ter crise mesmo. Tudo tem que ser muito padronizado, tudo dentro de uma moda e nada mais. Sua filha é lésbica? Não se preocupe, papai e mamãe isto é apenas uma moda. Nada mais que isso. Como suas filhas não têm sentimentos, apenas seguem a moda, resta uma pergunta: e se a moda não passar?
Graça Portela
Jornalista
graca@glsplanet.com
enviada por Girl/Garota
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